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Por que o Brasil produz riqueza mineral, mas captura pouco valor?

Publicado em 22/06/2026

Economista Paulo Gala analisa a estrutura global da cadeia e os fatores que mantêm o país na base do mercado.

Por que o Brasil, sendo um dos maiores produtores de gemas, ouro e metais preciosos do mundo, ainda captura uma parcela limitada do valor gerado por essa riqueza?

Essa é a reflexão proposta pelo economista Paulo Gala em artigo publicado no último dia 20 de junho (Por que o Brasil exporta pedra e importa valor: a economia da cadeia de gemas, ouro e joias), ao analisar a lógica econômica da cadeia global de gemas e joias. Segundo ele, a diferença está na posição ocupada pelo país dentro dessa estrutura produtiva.

Na base da cadeia está a extração mineral, etapa em que a gema bruta ou o ouro são tratados como commodities, com preços definidos pelo mercado internacional e margens reduzidas. À medida que o produto avança para etapas como lapidação, manufatura, design, branding e varejo, o valor agregado cresce de forma significativa.

É o que a literatura econômica chama de curva do sorriso: quanto mais próximo do consumidor final e mais intensivo em conhecimento, diferenciação e reputação, maior o valor capturado.

No setor joalheiro, isso significa que países como Índia, Itália e Turquia concentram etapas mais rentáveis. A Índia domina a lapidação em escala; a Itália, o design e a força de marca; e a Turquia, a manufatura intermediária. O Brasil, apesar de sua abundância geológica, permanece majoritariamente no elo inicial.

O artigo também destaca que o valor das joias não está apenas no ouro ou na gema, mas em elementos intangíveis: autoria, identidade, procedência, rastreabilidade e confiança.

Nesse contexto, o fortalecimento da indústria nacional passa pela ampliação de capacidades técnicas, pelo investimento em design, pela profissionalização da cadeia e pela consolidação de mecanismos robustos de certificação e rastreabilidade.

Para o IBGM, compreender essa dinâmica é fundamental para reposicionar o Brasil na cadeia global, transformar riqueza mineral em valor agregado e fortalecer um setor mais competitivo, sustentável e conectado às novas exigências do mercado.

Leia o artigo completo do economista Paulo Gala clicando aqui