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IBGM integra missão presidencial à Ásia e posiciona agenda estratégica sobre IPI e agregação de valor

Publicado em 25/02/2026

Vice-Presidência de Relações Institucionais debate estudo técnico com governo federal e reforça defesa de ambiente tributário equilibrado para a indústria de gemas e joias.

Brasília, 25 de fevereiro de 2026.

O Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM) integrou a missão empresarial oficial à Índia e à Coreia do Sul, compondo a comitiva que acompanhou o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em agendas estratégicas voltadas ao fortalecimento das relações comerciais, industriais e tecnológicas do Brasil com a Ásia.

A representação do setor foi conduzida por Carla Pinheiro, Vice-Presidente de Relações Institucionais do IBGM, que levou à agenda internacional as pautas estruturantes da cadeia produtiva de gemas, joias e metais preciosos, setor que movimenta R$ 25 bilhões no varejo, reúne aproximadamente 39 mil estabelecimentos e gera mais de 667 mil empregos diretos e indiretos no país.

A missão foi organizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com articulação da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), reunindo lideranças empresariais e autoridades governamentais em fóruns de alto nível dedicados à ampliação de investimentos e à integração do Brasil às cadeias globais de valor.

Defesa da indústria joalheira e revisão do IPI

No âmbito da agenda institucional, o IBGM reforçou junto às autoridades econômicas a necessidade de adequação do tratamento tributário aplicado ao setor, especialmente no que se refere à manutenção do IPI no contexto da Reforma Tributária.

Durante interlocuções com o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi reiterado o posicionamento técnico já apresentado anteriormente pelo Instituto, fundamentado no estudo “A Nova Configuração do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados na Reforma Tributária e seu Impacto na Cadeia Produtiva da Indústria de Joias e de Mineração de Ouro”.

Carla Pinheiro, Vice-Presidente de Relações Institucionais do IBGM, com Fernando Haddad, Ministro da Fazenda do Brasil.

 

O documento, de autoria do IBGM, demonstra que:

  • 95% das empresas do setor joalheiro estão fora da Zona Franca de Manaus;
  • Apenas cinco indústrias do segmento operam no Polo Industrial de Manaus, representando parcela inferior a 1% do faturamento do Polo;
  • A manutenção da alíquota de 12% de IPI impõe ônus concentrado sobre pequenas e médias empresas distribuídas pelo território nacional;
  • A medida gera desequilíbrio concorrencial e compromete o princípio da isonomia tributária.

A indústria joalheira brasileira é composta majoritariamente por micro e pequenas empresas, altamente intensivas em mão de obra e com forte capilaridade regional. Penalizar 95% do setor para preservar uma participação residual no Polo de Manaus compromete a racionalidade do sistema tributário e desestimula a agregação de valor no país.

“O setor de gemas e joias é mineração, é indústria de transformação e é economia criativa de alto valor agregado. Defendemos um ambiente tributário que preserve empregos, estimule a formalização e fortaleça a competitividade da produção nacional”, afirmou Carla Pinheiro.

O IBGM defende, conforme exposto em seu estudo técnico, a aplicação de alíquota zero de IPI para segmentos com baixa participação no Polo de Manaus ou, alternativamente, a adoção da menor alíquota prevista no novo modelo tributário, de forma a garantir equilíbrio concorrencial.

Agregação de valor como estratégia nacional

O Brasil é líder mundial em diversidade de gemas e figura entre os principais produtores globais de ouro. No entanto, mais de 90% da produção nacional de ouro é exportada em estado bruto ou semielaborado, com baixo valor agregado.

Dados setoriais indicam que as exportações somaram US$ 7,19 bilhões, sendo mais de US$ 6,5 bilhões concentrados em ouro em formas brutas . A joalheria acabada representa parcela reduzida da pauta exportadora.

Para o IBGM, esse cenário evidencia a necessidade de adensamento da cadeia produtiva mineral e fortalecimento da indústria joalheira como elo final de geração de valor, empregos qualificados e arrecadação tributária.

Nesse contexto, a presença do Instituto na missão presidencial teve caráter estratégico: posicionar o setor como parte da solução para o desenvolvimento industrial brasileiro, defender condições equitativas de concorrência e ampliar oportunidades de cooperação internacional.

Inserção internacional, cooperação técnica e fortalecimento institucional

Na Índia, a delegação participou do Fórum Empresarial Índia–Brasil, em Nova Délhi, com a presença da cúpula ministerial e lideranças empresariais dos dois países, além da inauguração do escritório da ApexBrasil na capital indiana, iniciativa estratégica que amplia a presença institucional do Brasil em um dos principais polos globais de gemas e joias.

Da esq. à dir., Ana Repezza, Diretora de Negócios da ApexBrasil, e Carla Pinheiro, Vice-Presidente de Relações Institucionais do IBGM.

 

A agenda incluiu ainda visita técnica a um Centro de Referência em Joalheria na Índia, reconhecido pela excelência em qualificação profissional, inovação em processos produtivos e integração entre indústria, design e formação técnica. A experiência permitiu conhecer modelos de organização produtiva, políticas de estímulo à exportação e estratégias de posicionamento global adotadas pelo setor indiano, país que ocupa papel central na lapidação e na manufatura joalheira mundial.

Carla Pinheiro, Vice-Presidente de Relações Institucionais do IBGM, com ​​integrantes do GJEPC (Conselho de Promoção de Exportações de Gemas e Joias da Índia). Da esq. à dir., Kewal Duggal (diretor), Sridhar Iyengar (diretor internacional de eventos) e Ajay Purohit (diretor-assistente).

 

Carla Pinheiro, Vice-Presidente de Relações Institucionais do IBGM, visita o centro de treinamento do GJEPC.

 

Para o IBGM, o intercâmbio técnico é instrumento estratégico para o fortalecimento da indústria nacional, sobretudo no contexto de adensamento da cadeia produtiva mineral e ampliação da competitividade internacional.

Na Coreia do Sul, o IBGM integrou o Fórum Empresarial Brasil–Coreia do Sul, com foco em inovação, tecnologia industrial e integração produtiva — temas diretamente relacionados à modernização e competitividade da cadeia de gemas e metais preciosos.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a sessão de encerramento do Encontro Empresarial Brasil-Coreia do Sul. Seul — República da Coreia.

 

Carla Pinheiro, Vice-Presidente de Relações Institucionais do IBGM, no Fórum Empresarial Coreia-Brasil.

 

A participação reafirma o compromisso institucional do IBGM com a defesa da indústria brasileira de joias e gemas, a promoção da agregação de valor ao bem mineral produzido no país e a construção de um ambiente regulatório e econômico mais previsível, isonômico e sustentável.

“Competitividade não é privilégio setorial. É condição para desenvolvimento”, concluiu Carla Pinheiro.